Sobre a Filipa

Esta alfacinha foi perguntar. Disseram-lhe isto:

Que tem sorriso fácil e  riso de desenho animado japonês.

Que é uma Mulher Livre, com tendência para, de repente, sair daqui e ir para o outro lado do mundo, dançar entre as nuvens e procurar-se nos outros.

Que tem pedaços do coração espalhados pelo mundo, nos amigos que faz. Que isso é ao mesmo tempo bonito e doloroso.

Que é curiosa e tem muita dificuldade em estar quieta.

Que é uma aventureira, sempre à procura de um algo mais que nem sempre se entende. Caminhos? Pessoas?  De marcar a diferença ou da forma de fazer a diferença? De ver um sorriso ou de ter um?

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A verdade é que me sinto e não sinto tudo isto. Disseram-me que eu não tinha medos…era bom. Tenho-os todos os dias, mas também são eles que me continuam a empurrar para procurar esses caminhos.

Em 2010, enquanto voltava a minha vida do avesso e me deixava ficar pela Argentina, fui à bruxa. Disse-me ela então que via nas cartas que teria duas carreiras. Uma que deixava para trás e outra que tinha a ver com a minha capacidade para inspirar as pessoas. Achei na altura que isso tinha a ver com o trabalho como coordenadora de voluntários que começava. Bem sei, ouvimos o que precisamos de ouvir, mas essa também é a beleza da coisa: se servir para nos dar força para andar para a frente, arriscar o que sabemos à partida ser certo, mas nos assusta, então é a verdade certa, no momento certo.

Depois voltei, sem  nunca deixar esta vontade de correr mundo para trás e devagarinho fui construindo esse caminho. Percebendo para onde queria ir no mundo, e que sentido queria dar à minha vida. Este blog acompanha essas viagens, interiores e exteriores. Partilha, para inspirar:

A sair do sofá, da cama, do trabalho e ir mais além.

A ir dar um passeio à rua, ir dar uma volta ao bairro, ir à cidade vizinha, ir passar um fim de semana fora, ir dar a volta ao mundo, mas IR.

A pedir um prato que nunca se comeu, ouvir uma musica diferente, sorrir a um estranho, dizer bom dia aos vizinhos.

A pensar que mundo queremos deixar, que vida queremos viver.

A encarar todos os dias como uma viagem, com a mesma abertura, a mesma curiosidade, a mesma vontade de ir mais além.

Por isso este blog é feito de pequenos momentos em grandes viagens e momentos enormes ao virar da esquina. É a visão de uma alfacinha em Lisboa, e de uma Lisboeta no Mundo.

 

E já agora:

«Alfacinhas – A origem da designação perde-se: há quem explique que nas colinas de Lisboa primitiva verdejavam já as “plantas hortenses utilizadas na culinária, na perfumaria e na medicina” que dão pelo nome de alfaces. ‘Alface’ vem do árabe, o que poderá indicar que o cultivo da planta começou aquando da ocupação da Península pelos fiéis de Alá. Há também quem sustente que, num dos cercos de que a cidade foi alvo, os habitantes da capital portuguesa tinham como alimento quase exclusivo as alfaces das suas hortas.
O certo é que a palavra ficou consagrada e, de Almeida Garrett a Aquilino Ribeiro, de Alberto Pimentel a Miguel Torga, os grandes da literatura portuguesa habituaram-se a tomar ‘alfacinha’ por lisboeta.» do Gabinete de Estudos Olisiponenses

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Este blog existe em Português e em Inglês. Foi uma decisão que resultou da indecisão. Mas são na verdade dois blogs diferentes. Alguns conteúdos existem nas duas linguas, mas muitos apenas em uma. Tem a ver com a inspiração do momento. A quem entende as duas linguas, rogo que acompanhe ambos, a quem não, deixo o desafio de comentar e pedir a tradução daqueles textos que lhes pareçam ter interesse, mas não percebam. Este é um trabalho em construção contínua e a vossa opinião será sempre a cola com que tudo isto se une. Senão para vocês, então para quem escrevo?

7 comments

  1. Depois do que nos descobrimos no final desta tarde, adorei reencontrá-la por aqui e identifiquei-me com a alma da sua escrita, ou com a escrita da sua alma.

    • Muito obrigada! 🙂

      É sempre um prazer descobrir outros como nós, que percebem a vida que nos dá este conhecimento do mundo.

  2. A ouvir a preparação da sua próxima viagem á India,permita-me sugerir-lhe que organize um Grand Ashram,por exemplo em Rishkesh,vai valer a pena.

    • Obrigada João Carlos. Desta vez não vou passar por essa zona ou ter tempo para retiro, mas fica anotado para uma próxima.

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